sexta-feira, 16 de novembro de 2012

" EU DO INTERIOR"





Gosto do mar, das ondas, dos corais, da areia cortando meus pés; do caranguejo servido no restaurante próximo à beira – mar, da brisa no meu rosto, de caminhar ao entardecer no calçadão da praia, de me banhar na água salgada do oceano, de ficar pulando entre as ondas; porem isso é uma coisa que acontece apenas duas vezes por ano comigo e com muitos sertanejos que moram a quilômetros de distancia do mar. Acho que todo mundo um dia quis ter uma casa na praia. Isso é um sonho ou um anseio? Não sei bem explicar. Acredito que quase todo sertanejo como eu, nascido nesses rincões de serras em meio a esse mar morto de folhas secas, gosta e anseia por essas coisas, talvez pelo fato do mar sempre se manter distante do povo desse lado de cá. Convivo com a seca desde os meus primeiros anos de vida, ouvi falar dela e de seus danos pelas histórias contadas por meus pais e avós, como também a vi várias vezes, mas nunca a senti tão de perto como hoje a sinto. Posso dizer com toda convicção que nunca presenciei uma seca tão grande como essa, que esta dizimando todo o nordeste brasileiro. O gado deita morto no chão, é triste ver nas estradas os animais deitando por não se aguentarem em pé, em consequência da fome que assola seu ser. É de partir o coração ver todos, mais quase todos os açudes que conheço secarem, mostrando o seu fundo coberto de barro que começa a endurecer virando torrões partidos na sua superfície. Mais se me perguntam de onde eu sou, não nego em dizer que sou daqui, que pertenço a esse sertão seco, a esse torrão quente que faz jorrar nos polos do meu corpo lágrimas em forma de suor. Há algo em mim que por mais que eu tente caminhar em direção ao mar, em dizer que para aonde desaguam todas as aguas tudo é mais bonito e amenizador, há algo também que me faz sentir saudades desse lugar mesmo sem sair daqui, que mesmo em meio a maior seca dos últimos trinta anos já presenciados pelo sertanejo, em mesmo ao maior calor, fome, sede; meu corpo é dessa terra seca; dessa terra quente. Algo no fundo do meu coração, nas mais profundas entranhas me fazem AMAR ESSA TERRA. Talvez um dia, um dia quem sabe eu saia daqui por motivos e caminhos que a vida me obrigou a trilhar na estrada chamada sina ou destino, mais mesmo assim, tenho a petulância em dizer com todo amor a essa terra de homens forte como chamou Elucides da Cunha em OS SERTÕES, ou como canta a canção “só deixo o meu cariri no ultimo pau-de-arara”! Só saio daqui quando não tiver mais água, quando tudo, mais tudo, sem restar nada, morrer! Quando o sol por maldade não deixar aqui a chuva chegar e daqui me expulsar do meu pé de serra, da minha casa, da minha amada, da única terra em que minha alma ficará em paz quando meu corpo for aqui enterrado!

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