Gosto
do mar, das ondas, dos corais, da areia cortando meus pés; do caranguejo
servido no restaurante próximo à beira – mar, da brisa no meu rosto, de
caminhar ao entardecer no calçadão da praia, de me banhar na água salgada do
oceano, de ficar pulando entre as ondas; porem isso é uma coisa que acontece
apenas duas vezes por ano comigo e com muitos sertanejos que moram a
quilômetros de distancia do mar. Acho que todo mundo um dia quis ter uma casa
na praia. Isso é um sonho ou um anseio? Não sei bem explicar. Acredito que
quase todo sertanejo como eu, nascido nesses rincões de serras em meio a esse
mar morto de folhas secas, gosta e anseia por essas coisas, talvez pelo fato do
mar sempre se manter distante do povo desse lado de cá. Convivo com a seca
desde os meus primeiros anos de vida, ouvi falar dela e de seus danos pelas
histórias contadas por meus pais e avós, como também a vi várias vezes, mas
nunca a senti tão de perto como hoje a sinto. Posso dizer com toda convicção
que nunca presenciei uma seca tão grande como essa, que esta dizimando todo o
nordeste brasileiro. O gado deita morto no chão, é triste ver nas estradas os
animais deitando por não se aguentarem em pé, em consequência da fome que
assola seu ser. É de partir o coração ver todos, mais quase todos os açudes que
conheço secarem, mostrando o seu fundo coberto de barro que começa a endurecer
virando torrões partidos na sua superfície. Mais se me perguntam de onde eu
sou, não nego em dizer que sou daqui, que pertenço a esse sertão seco, a esse
torrão quente que faz jorrar nos polos do meu corpo lágrimas em forma de suor.
Há algo em mim que por mais que eu tente caminhar em direção ao mar, em dizer
que para aonde desaguam todas as aguas tudo é mais bonito e amenizador, há algo
também que me faz sentir saudades desse lugar mesmo sem sair daqui, que mesmo em
meio a maior seca dos últimos trinta anos já presenciados pelo sertanejo, em
mesmo ao maior calor, fome, sede; meu corpo é dessa terra seca; dessa terra
quente. Algo no fundo do meu coração, nas mais profundas entranhas me fazem AMAR
ESSA TERRA. Talvez um dia, um dia quem sabe eu saia daqui por motivos e
caminhos que a vida me obrigou a trilhar na estrada chamada sina ou destino,
mais mesmo assim, tenho a petulância em dizer com todo amor a essa terra de
homens forte como chamou Elucides da Cunha em OS SERTÕES, ou como canta a
canção “só deixo o meu cariri no ultimo pau-de-arara”! Só saio daqui quando não
tiver mais água, quando tudo, mais tudo, sem restar nada, morrer! Quando o sol
por maldade não deixar aqui a chuva chegar e daqui me expulsar do meu pé de
serra, da minha casa, da minha amada, da única terra em que minha alma ficará
em paz quando meu corpo for aqui enterrado!
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